O desenrolar do cenário do mercado de criptomoedas ainda não é concreto. Isso porque próprio cenário macroeconômico, que rege a movimentação de preço destes ativos, também não entrega certezas.
Nesta semana, o Banco Central dos EUA, Federal Reserve, anunciou a manutenção da taxa de juros do país. Um dia depois, nesta quinta-feira (29), o presidente norte-americano, Donald Trump, criticou a decisão do Fed e pediu por uma redução imediata dos juros. Finalmente, a semana que vem pode marcar o anúncio de um substituto de Jerome Powell, hoje presidente da instituição.
Toda essa incerteza interfere diretamente em ativos de riscos, e traz volatilidade para o mercado. Investidores tendem a migrar o capital para ativos de proteção durante épocas como esta. O que explica a valorização do ouro e da prata neste mesmo período.
Para onde vai o Bitcoin?
Quando a análise fundamentalista é difícil, a análise técnica pode ajudar a traduzir alguns pontos.
Segundo Tiago Martins, operador de mercado, “cada vez mais, padrões gráficos e indicadores técnicos começam a chamar atenção por lembrarem, de forma desconfortável, o que vimos em 2022, período que antecedeu um movimento forte de baixa no Bitcoin.”
“No gráfico semanal, o BTC voltou a sentir a resistência da EMA 50 em uma região bastante sensível. Esse nível não é apenas técnico, ele também concentra uma quantidade relevante de liquidez, funcionando como a contraparte ideal para a atuação da força vendedora. O mercado precisa dessa contraparte para se mover, e foi exatamente isso que aconteceu neste ponto”, pontuou o profissional.

Além disso, ele explica que, em 2022, o roteiro foi muito semelhante. Primeiro, o Bitcoin perdeu a EMA 50 semanal. Depois, veio um reteste dentro de um padrão de bandeira, acompanhado de captura de liquidez.

“A partir daí, o movimento seguinte levou o BTC até a região dos 15,5 mil dólares. Esse mesmo ‘fantasma’ começa a rondar novamente o mercado, especialmente quando olhamos para indicadores como o RSI, que também reproduzem uma estrutura semelhante àquele período.”
Com isso, os olhos do mercado se voltam para a região dos 80 mil dólares. Ou seja, a região é descrita como suporte por Martins.
Um forte indicador do suporte é a zona de liquidez importante nesta faixa de preço. “A expectativa é que a força compradora tente construir um fundo ascendente a partir dessa base”, explica.
“Ainda assim, para que possamos falar em retomada mais consistente do controle por parte dos compradores, o nível dos 91 mil dólares precisa ser recuperado. Sem isso, qualquer reação de alta tende a ser frágil e pouco convincente”, concluiu o analista.






