Em rede social, o presidente norte-americano Donald Trump criticou nesta quinta-feira (29) o presidente do Banco Central dos EUA, Jerome Powell. A critica foi pela decisão de manter a taxa de juros no país, e veio junto do apelido “Tarde Demais Powell”, reforçando que o acha lento. A decisão da entidade ocorreu um dia antes, que manteve a taxa entre 3,50% a 3,75% ao ano.
A pressão do executivo sobre o Federal Reserve não é inédita. Na realidade, trata-se de um embate frequente ao longo deste mandato de Trump. Segundo o chefe do executivo, em seu perfil do Truth, Jerome Powell deveria ter reduzido as taxas “substancialmente.”
Entre os argumentos, Trump usa o Liberty Day, ou o dia do tarifaço, como explicação. Ou seja, o dinheiro arrecadado após as tarifas impostas tornou a economia americana “a mais forte do mundo”.
Além disso, Trump também defendeu que os EUA deveriam ter a “menor taxa de juros do planeta” graças à implementação de suas políticas fiscais.
“O Fed deveria reduzir substancialmente as taxas de juros, AGORA! As tarifas tornaram a América forte e poderosa novamente, muito mais forte e poderosa do que qualquer outra nação. Proporcional a essa força, tanto financeira quanto de outras naturezas, DEVERÍAMOS ESTAR PAGANDO TAXAS DE JUROS MAIS BAIXAS DO QUE QUALQUER OUTRO PAÍS DO MUNDO!”, ele afirmou.
Por que o embate entre Trump e Powell nos EUA afeta o mercado?
O cenário de juros, principalmente nos EUA, mexe com todos os mercados. Contudo, os ativos de riscos são os que mais apresentam correlação inversamente proporcional ao tema. Isso acontece pelo comodismo que uma alta taxa pode trazer para quem empresta dinheiro ao Estado.
Emprestar dinheiro a uma taxa alta, e ter a maior economia do mundo como credora, faz muitos investidores venderem seus ativos de risco e comprarem os títulos públicos. Ademais, uma economia com juros altos pode atrasar o espírito empreendedor da população, que prefere não se endividar.
Apesar disso, o Banco Central dos EUA é uma autarquia independente. Isso significa que pode decidir sobre cenário econômico sem a intervenção direta dos três poderes.
Portanto, a pressão constante de Trump não significa uma redução nos juros, mas pode sim influenciar. Além de juros altos, a incerteza também é inimiga dos ativos de risco. Não somente a incerteza sobre política monetária, mas também sobre assuntos geopolíticos como o que está acontecendo com Alaska.
No curto prazo, essa disputa pode aumentar a volatilidade de mercados de risco, como ações de tecnologia ou criptomoedas. Hoje, a Nasdaq e o Bitcoin apresentam quedas, respectivamente de 1,20% e 4,9%.






