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Bitcoin passa por estresse mas não significa reversão, avalia analista

O mercado cripto passa por semanas difíceis. A maior criptomoeda de todas, o Bitcoin, caiu abaixo de US$ 80 mil nesta terça-feira (3) e assustou os investidores. A incerteza macroeconômica, e o fato do mercado ainda não saber ao certo se o Fed será hawkish ou dovish, fez com que o fluxo de capital para o Bitcoin diminuisse bastante.

Além disso, analistas e operadores do mercado defendem que as ações estão bastante esticadas em preço. Portanto, a correlação destes ativos com as criptomoedas faz com que qualquer queda em índices como a Nasdaq derrube também o Bitcoin.

A principal criptomoeda perdeu a região dos 80 mil dólares e buscou níveis próximos a 74 mil. Segundo Tiago Martins, operador de mercado, o movimento, embora forte, ainda não carrega as características clássicas de capitulação.

Ou seja, o especialista avalia que ainda não estamos na fase onde investidores assumem as perdas e liquidam seus ativos. A capitulação seria o ponto de estresse máximo no mercado, quando vendas em prejuízo acontecem.

“O que estamos vendo até aqui se parece mais com a primeira fase de um processo de stress, do que com o seu desfecho. No gráfico mensal, chama atenção o fato de estarmos no quinto mês consecutivo de queda, sem que tenha ocorrido uma onda corretiva relevante”, avalia Martins.

Ele ainda aponta que, historicamente, esse tipo de comportamento indica desequilíbrio direcional. Ou seja, quando o mercado anda demais para um lado sem permitir alívio. Nada sobe ou cai para sempre.

Pouco ajuda o fato de que Powell agora tem seus dias contados. Portanto, o executivo tende a manter uma postura conservadora na economia, sem muitas mudanças, visto que está em seu “aviso prévio”. Basicamente, quer dizer que apesar do médio longo prazo ser incerto, a percepção no curto prazo é de uma postura conservadora.

Análise técnica do Bitcoin

Tiago avalia que podemos ver movimentos de alta em breve, mas alerta que, ao menos no curto prazo, a felicidade talvez dure pouco. “Movimentos de alta podem surgir, não como reversão, mas como correção técnica dentro de uma estrutura maior de baixa”, diz.

Leia também: Quem é Kevin Warsh, possível substituto de Jerome Powell?

Ele diz que, do ponto de vista técnico, a região dos 80 mil dólares passa a ser central. “Para que o Bitcoin consiga construir uma correção mais ampla, seria necessário recuperar esse nível e, a partir daí, buscar a região dos 95 mil dólares, onde se encontra a EMA 50 semanal, recentemente perdida.”

Neste cenário, o desenho seria de uma estrutura clássica de ombro cabeça ombro. O mesmo padrão que, em ciclos anteriores, precedeu movimentos mais profundos de queda e contribuiu para o reset do RSI semanal, geralmente na faixa entre 30 e 25.

“Esse ponto é crucial. Apesar da queda recente, o RSI ainda não resetou. Na mínima do movimento, o indicador chegou próximo de 32, mas historicamente, em cenários de stress mais avançado, o mercado costuma exigir níveis mais baixos para limpar excessos acumulados ao longo do ciclo. Isso sugere que, do ponto de vista técnico, ainda existe espaço para mais pressão”, avalia Tiago.

No curto prazo, o operador classifica a região dos 74,6 mil dólares como importante. Trata-se de uma zona de concentração relevante de liquidez. Ou seja, quem estiver vendendo pode se beneficiar bastante tendo em vista que existe bastante investidor comprando.

É por esse motivo que, em um cenário que o Bitcoin perca esse nível, o comportamento do preço após a perda será mais importante do que a perda em si.

“Um cenário saudável, mesmo dentro de uma tese de continuação de baixa, exigiria que o preço recuperasse rapidamente essa faixa, caracterizando uma captura de liquidez antes de qualquer movimento impulsivo de alta corretiva”, finalizou.