O mundo das criptomoedas recebeu nesta sexta-feira (6) a notícia da prisão de John Daghita, conhecido como “Lick”. Ele é um contratado do governo dos EUA acusado de roubar mais de US$ 46 milhões em ativos digitais apreendidos pelo U.S. Marshals Service (USMS).
A captura ocorreu na ilha caribenha de Saint Martin, em uma operação conjunta entre o FBI e a elite tática da Gendarmerie francesa. Além disso, o crédito pela exposição inicial vai para ZachXBT, investigador on-chain, cuja análise detalhada em janeiro de 2026 levou diretamente à ação das autoridades.
Desse modo, em um thread publicado no X (antigo Twitter) hoje, ZachXBT revelou que a prisão de Daghita foi “um resultado direto” de sua investigação.
“Em janeiro de 2026, expus como John roubou mais de US$ 46 milhões em ativos cripto apreendidos do governo americano abusando de acesso na CMDSS, empresa de seu pai que tinha contrato com o USMS”, escreveu.
Evidências do roubo das criptomoedas
O post inclui gravações de áudio, screenshots de dashboards internos, um Google Sheet com carteiras de influenciadores e evidências de transações. O thread acumula mais de 9 mil likes e 800 reposts em poucas horas, com a comunidade cripto celebrando o desfecho.
A história começou em janeiro, quando ZachXBT publicou uma thread inicial expondo como Daghita obteve acesso privilegiado via CMDSS (Cyber Monitoring and Data Security Services), fundada por seu pai e contratada pelo USMS para gerenciar e descartar criptoativos apreendidos em investigações criminais.
“Ainda não está claro como John obteve acesso do pai”, notou ZachXBT na época. Após a exposição, Daghita provocou o investigador em seu canal no Telegram e enviou “dust attacks” — pequenas transações de poeira — para a carteira pública de ZachXBT usando fundos roubados. “Obrigado pela última risada, John”, ironizou ZachXBT no post de hoje.
Além disso, fotos divulgadas pelo FBI mostram Daghita algemado sendo levado por agentes franceses, uma mala repleta de notas de dólar americano e itens como wallets hardware, pendrives e dispositivos eletrônicos. A prisão ocorreu na noite de quarta-feira, 4 de março, em Saint Martin. A ilha é dividida entre França e Holanda, conhecida por ser um paraíso fiscal e destino de fugitivos.
Fuga e captura
A operação envolveu a unidade de elite da Gendarmerie, especializada em intervenções táticas, destacando a cooperação internacional em crimes cibernéticos. Desse modo, Daghita, de 24 anos, trabalhava como consultor na CMDSS, empresa baseada em Virgínia com contrato ativo para auxiliar o USMS na gestão de criptoativos confiscados. Frequentemente de casos de lavagem de dinheiro ou tráfico.
O roubo das criptomoedas envolveu a transferência de Bitcoin e outras moedas de carteiras governamentais para endereços controlados por ele, totalizando mais de US$ 46 milhões ao valor atual.
Após a exposição de ZachXBT, Daghita fugiu para o Caribe, onde localizaram ele via rastreamento on-chain e inteligência compartilhada.
Portanto, o caso expõe vulnerabilidades na custódia governamental de criptoativos. O USMS, responsável por leiloar bilhões em BTC apreendidos (como nos casos Silk Road e Mt. Gox), depende de terceiros para monitoramento técnico. “Isso levanta questões sobre como contratos sensíveis são concedidos e auditados”, comentou Laura Shin, jornalista cripto, em resposta ao thread.






