O mercado de criptomoedas parou de registrar quedas abruptas, e flerta com a lateralidade nesta terça-feira (10). O Bitcoin, maior criptomoeda e direcionador, se consolidou na faixa entre US$ 68.000 e US$ 71.000 e parou de cair após o teste recente dos US$ 60.000.
Mas será que o ouro digital já cansou das quedas, e esse bear market será como em um piscar de olhos, ou ainda tem espaço para mais perdas?
Bitcoin pode cair mais?
Tiago Martins, operador de mercado, destaca o clímax de volume observado na região dos US$ 60.000 como um sinal de exaustão vendedora temporária. Apesar disso, não observa sinal de capitulação definitiva.
“Esse clímax marca um ponto de stress significativo, com RSI semanal tocando intra-candle níveis próximos de reset histórico (cerca de 25 pontos), mas sem fechamento consolidado nessa zona”, explica.
A recuperação antes do candle semanal fechar manteve o RSI orbitando os 30 pontos, preservando o risco de novos testes de fundo. Martins enfatiza que, sem uma limpeza estrutural completa, o BTC pode oscilar em um range amplo entre US$ 60.000 (suporte) e US$ 86.000 (oferta relevante de distribuição anterior). Um eventual rally até essa zona superior seria mais um alongamento da consolidação do que o início de uma reversão bullish.
O analista conecta esse comportamento ao Nasdaq, que permanece preso em lateralidade próxima a topos históricos, sem rompimento ou correção suficiente para aliviar excessos. “Índices acionários em estrutura de distribuição limitam o upside de ativos de risco como o Bitcoin”, afirma. No macro, a ameaça de shutdown governamental nos EUA adiciona incerteza fiscal, reforçando posturas conservadoras do Fed e ausência de catalisadores de liquidez.
O resultado é um mercado “travado entre forças opostas”, com lateralidade desconfortável preparando redistribuição de risco.
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Macroeconomia pode puxar preços para baixo
Paulo Aragão, economista, complementa a visão ao apontar a cautela predominante antes dos dados econômicos chave nos EUA. O relatório de emprego (NFP) de janeiro, adiado para 11 de fevereiro devido a questões governamentais, tem consenso em torno de +70.000 vagas, enquanto o CPI de inflação sai na sexta.
“Muitos investidores preferem esperar antes de posições direcionais”, observa. Apesar da predominância de apostas na alta (evidenciada por posicionamentos), isso paradoxalmente eleva o risco de correções para ajustar desequilíbrios.
Aragão alerta para o enfraquecimento potencial nas ações de tecnologia, com o Nasdaq como gatilho possível para o Bitcoin cair mais. “Ainda é cedo para afirmar que o fundo ficou para trás. Dados piores que o esperado ou sinais consistentes de fraqueza tech podem catalisar o ajuste final antes de uma recuperação mais sólida”, avalia.
Desse modo, a consolidação atual não deve se prolongar indefinidamente, aproximando-se de um ponto de decisão: sustentação dos níveis ou quebra de suportes relevantes. No contexto geral, o mercado cripto reflete o mesmo tom de consolidação cautelosa observado nas bolsas tradicionais.
O volume de negociação permanece moderado, com participantes evitando exposição excessiva à frente dos indicadores macro. Analistas coincidem em que o ambiente favorece ranges amplos e falsos rompimentos, testando a paciência dos investidores.
Enquanto não houver confirmação técnica de limpeza (como fechamentos em oversold profundo) ou catalisadores macro positivos, o viés permanece neutro a levemente bearish no curto prazo, com foco em suportes chave para possíveis acumulações graduais.
O Bitcoin, após queda de cerca de 50% desde os picos acima de US$ 126.000 em outubro de 2025, continua a atrair olhares de longo prazo. Contudo, o curto prazo exige disciplina. A semana será decisiva com a sequência de dados econômicos, podendo definir se a lateralidade dá lugar a volatilidade direcional.






