O Banco Central dos EUA, Federal Reserve, é quem dita o rumo da macroeconomia. A entidade é a principal responsável por brilhar os olhos dos investidores para ativos de risco, ou afugentá-los deles. Para um cenário em que os ativos de risco são atrativos, é preciso que os investidores tenham acesso à dinheiro abundante e juros baixos.
Ou seja, precisa ter liquidez, e recentemente o Fed injetou US$ 18,5 bilhões no país. O analista Cauê Oliveira escreveu em um post no X (antigo Twitter) nesta quinta-feira (19), que observou uma movimentação discreta, mas significativa, do Federal Reserve.
‘Uma injeção de US$ 18,5 bilhões no sistema bancário via acordos de recompra overnight (repos). ‘É a 4ª maior injeção de liquidez desde a Covid’, destacou Oliveira. Em sua visão, não se trata de um Quantitative Easing (QE) formal. Contudo, o mecanismo indica estresse no mercado de reservas ou alta demanda por caixa.
Federal Reserve e seu papel em um reset global
Em contrapartida, Tiago Martins, operador de mercado, compartilhou uma perspectiva mais ampla sobre um possível ‘reset financeiro global’.
Citando Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, Martins alerta que o mundo caminha para um momento de reestruturação profunda, semelhante a eventos históricos como o confisco de ouro nos EUA em 1933, o fim do padrão ouro-dólar em 1971 ou a expansão monetária pós-2008.
‘Cada reset altera a dinâmica de risco e liquidez, criando oportunidades para ativos estratégicos’, afirma. Para ele, o Bitcoin ocupa esse papel hoje, atuando como proteção e ferramenta de acumulação em um ambiente de incerteza fiscal e monetária.
Martins enfatiza a delicada posição do Fed: ‘A última ata deixou claro que altas ainda não estão descartadas’, o que encurrala o banco central.
Qualquer movimento afeta os fluxos de liquidez e percepção de risco global. No mercado cripto, isso se reflete na métrica USDT.D. Isso é, a porcentagem de capital parado em stablecoins como Tether (USDT).
‘Quando essa taxa sobe, não é confiança; é proteção’, explica. Recentemente, o USDT.D atingiu níveis que historicamente precedem redistribuições, mas sem o ‘fundo global’ visto em ciclos passados, pois o Nasdaq permanece em topos históricos.
‘O mercado não oferece o mesmo pano de fundo favorável de quedas profundas em índices acionários’, observou.
Causas e efeitos: a anatomia de um reset
Historicamente, resets financeiros reconfiguram o sistema. Por exemplo, o de 1971, por exemplo, impulsionou o ouro como hedge contra inflação. Já o de 2008 acelerou a adoção de QE, inflando ativos de risco.
Hoje, os EUA lida com dívidas soberanas em níveis recordes, que ultrapassam US$ 35 trilhões. Além disso, uma inflação persistente, o CPI de janeiro veio em 2,4%, abaixo do esperado. Desse modo, o Bitcoin pode emergir como ativo descentralizado para preservar valor.
‘Ele reflete movimentos do dinheiro mais sofisticado’, diz Martins, apontando para adoções institucionais e e de entidades públicas, como a BlackRock tokenizando Treasuries e estados como Arizona criando fundos de reservas em cripto. Do ponto de vista técnico, Martins vê sinais de fundo local no BTC.
O RSI semanal caiu para cerca de 27 pontos, nível de ‘estresse significativo’ que, em ciclos passados, marcou zonas de reação e acumulação.
‘Embora haja oportunidade técnica, o contexto macro e a lateralidade do Nasdaq limitam movimentos abruptos’, alerta. O Bitcoin, negociando acima de US$ 71 mil nesta sexta, consolida após teste de US$ 60 mil, mas sem catalisadores claros para rompimento altista.






