Como ler relatório de backtest de algoritmo de investimento

Entenda o que os números não contam sozinhos e evite robôs com curva bonita, mas quebrada no dia seguinte.

Por que o backtest é só metade da história

Todo algoritmo no Spider Marketplace traz um relatório de backtest: rentabilidade, drawdown, Sharpe, número de trades. São dados reais, auditados por analistas CNPI, mas ainda assim só metade da história. O que importa é o que está por trás dos números: o mercado que gerou aquela curva pode não existir amanhã. Overfitting — ajuste excessivo aos dados passados — transforma backtest em armadilha. Rafael, engenheiro de 32 anos, aprendeu na prática: "Escolhi um robô com 38 % de lucro no backtest; em 45 dias de conta real perdi 12 %. A curva era linda, mas não resistia a mudanças de volatilidade." O objetivo deste guia é mostrar o que olhar além da rentabilidade para identificar estratégias com chance de repetir o desempenho fora da amostra.

1. Comece pelo gráfico de drawdown

Abra o relatório e localize o gráfico de drawdown acumulado. Ele mostra a pior sequência de perdas desde o pico anterior. Regra prática: se o buraco ultrapassou 20 % do capital inicial, o robô já quebrou conta de R$ 5 mil em algum ponto. Verifique se o período de recuperação foi curto — dias ou semanas — ou longo — meses. Robôs que demoram mais de 60 dias para voltar ao high watermark costumam sofrer em mercados laterais. Outro sinal de alerta: drawdown em forma de escada — perda, pequena recuperação, perda maior — indica que o sistema não tem trégua e pode ser fruto de overfitting. Prefira estratégias com drawdown máximo inferior a 15 % e recuperação dentro de 30 dias úteis.

2. Avalie o número de trades e o tempo médio

Na tabela de estatísticas, multiplique o número de trades pelo tempo médio de permanência. Resultado abaixo de 5 minutos significa alta frequência: o robó vira quase scalper. Alta frequência aumenta risco de falha de execução — slippage — e depende de corretora com liquidez profunda. Do outro lado, trades com duração média superior a 20 dias viram quase buy-and-hold e podem ser substituídos por ETF de menor custo. O ponto doce está entre 2 e 10 dias, com ao menos 30 operações por ano. Outro detalhe: se mais de 5 % dos trades ficaram abertos fim de semana, o algoritmo carrega gap de segunda-feira — risco adicional que não aparece no backtest.

3. Compare Sharpe com Índice de Sortino

Sharpe divide excesso de retorno pelo desvio-padrão; Sortino usa só desvio negativo. Quando Sharpe é alto mas Sortino é baixo, o robô tem ruídos positivos grandes — ganho sazonal ou evento — mas também perdas frequentes pequenas. Isso vira sinal de estratégia que depende de notícias ou dividendos. Para quem busca rentabilidade constante, prefira Sortino acima de 1,2 mesmo que Sharpe pareça melhor. Robôs com Sharpe 2+ e Sortino 0,8 são bonitos no papel, mas dão sustos frequentes ao vivo. No Spider, os relatórios já mostram os dois índices; é só verificar a diferença.

4. Abra a tabela de meses e identifique sazonalidade

Clique na aba ‘Detalhe por período’ e exporte o CSV de rentabilidade mensal. Monte uma tabela dinâmica: linha = mês, coluna = ano. Se o lucro caiu em pelo menos 3 meses seguidos em mais de 50 % das vezes, existe sazonalidade forte — por exemplo, só ganha no 1º trimestre. Robôs assim exigem timing de entrada: vale a pena se você consegue desligar fora de época. Para operar o ano todo, prefira estratégias com perdas mensais aleatórias, sem padrão. Um truque: se o lucro vem sempre em meses de folga de dividendos — abril, agosto, dezembro — o algoritmo está surfando eventos corporativos, não tendência de preço.

5. Teste de stress: o que muda se aumentar spread ou reduzir alavancagem

No relatório clique em ‘Simulação de stress’. São dois cenários: (a) spread dobrado e (b) alavancagem cortada pela metade. Se a rentabilidade cai mais de 30 % ou drawdown dobra, o robô vive de condições ideais — foge do mundo real. Estratégias que sobrevivem a stress de spread 2× costumam usar ordens limitadas ou atuar em mercados de futuros com book profundo. Se sua corretora cobra spread variável acima de 0,05 %, descarte robôs que não passam nesse teste. É melhor perder 5 % de ganho e ganhar 50 % de tranquilidade. No Spider, o teste de stress é obrigatório para estratégias alavancadas; os relatórios já trazem o resultado.

Perguntas frequentes

O backtest vale mais que o histórico da conta?+

Não. O backtest é feito em dados antigos, com regras fixas. A conta real sofre slippage, gap e alterações de spread. Use o backtest para filtrar, mas confie mais em track record real de 3-6 meses.

Qual Sharpe mínimo aceito?+

Acima de 1,0 já filtra lixo. Entre 1,2 e 1,5 é o ponto doce: rentabilidade compensa risco. Não existe mágica acima de 2,5 — suspeite de overfitting.

Robô com 90 % de acerto é bom?+

Depende. Se acerta 90 % mas ganha pouco em cada acerto e perde muito no 10 % restante, pode ter expectativa negativa. Leve em conta o payoff médio: ganho médio dividido por perda média. Queremos acima de 1,3.

Precisa entender de programação para avaliar?+

Não. Os relatórios do Spider já trazem gráficos e indicadores explicados. Basta seguir este guia e clicar nos números azuis de dúvida — aparecem dicas em português.

Posso testar com dinheiro fictício?+

Sim. Ative o Paper Trading dentro da plataforma. Ele replica o preço real, mas opera com saldo virtual. Use para validar a estratégia por 15-30 dias antes de migrar para conta real.

Pronto pra operar com quem já foi testado?

No Spider você filtra por drawdown, Sharpe e track record real. Depois é só clicar em Seguir e o robô opera automático na sua corretora.

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