O Bitcoin negocia em torno de US$ 69 mil nesta sexta-feira (13) em um dia marcado por cautela nos mercados globais. Apesar de valorizar cerca de 2% nas últimas 24 horas, a criptomoeda segue como o mercado tradicional, à espera da divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de janeiro nos Estados Unidos.
André Franco, CEO da Boost Research, destaca que os mercados asiáticos recuaram, com pressão sobre ações de tecnologia. Principalmente, puxada por resultados fracos de empresas como Cisco e queda na Apple. Desse modo, levando investidores a migrarem para ativos porto-seguro.
O movimento reflete aversão ao risco antes do CPI, que pode influenciar expectativas de política monetária do Fed.
Para o BTC, Franco vê expectativa de curto prazo neutra a levemente negativa. A retração no setor tech global reduz apetite por ativos voláteis, enquanto a antecipação dos dados de inflação cria ambiente de espera e consolidação técnica.
“O Bitcoin tende a oscilar lateralmente ou sofrer leve correção até sinais macro mais claros”, avalia.
O CPI de janeiro, divulgado hoje às 8h30 (horário de Brasília), mostrou inflação anual de 2,4%. O valor foi abaixo da expectativa de 2,5% e do 2,7% de dezembro. Portanto, representando o menor nível desde maio de 2025.
O dado, atrasado por shutdown governamental breve, aliviou preocupações com inflação persistente, mas o foco agora se volta para implicações sobre cortes de juros.
Standard Chartered prevê capitulação antes de recuperação
O banco britânico revisou projeções de curto prazo, prevendo que o Bitcoin caia até US$ 50.000 e o Ether até US$ 1.400 antes de uma retomada sustentada. A análise cita pressão de mineradores vendendo e saídas de ETFs à vista, em meio a aversão ao risco macro.
Apesar do cenário bearish imediato, o Standard Chartered mantém otimismo para o fim de 2026, com meta de US$ 100.000 para o BTC (reduzida de US$ 150.000 anterior). O banco classifica a correção como “capitulação necessária” para eliminar alavancagem excessiva e criar ponto de entrada atrativo para longo prazo.
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Avanços no Bitcoin: institucionais e regulatórios
O Reino Unido deu passo concreto rumo à tokenização soberana ao nomear o HSBC como provedor da plataforma HSBC Orion para o piloto de emissão de títulos governamentais (gilts) digitais, o Digital Gilt Instrument (DIGIT).
Anunciado pelo Tesouro britânico, o projeto testa blockchain para reduzir custos operacionais, aumentar transparência e acelerar liquidações em tempo real. Se bem-sucedido, pode posicionar o Reino Unido como pioneiro entre G7 na emissão de dívida pública tokenizada.
No ecossistema DeFi, a Aave Labs propôs o plano “Aave Will Win”, que redireciona 100% da receita de produtos (frontend, Aave Card e futuros ETFs) para o tesouro da DAO. A iniciativa busca alinhar incentivos, fortalecer sustentabilidade financeira e financiar inovações, V4 upgrade e segurança do protocolo.
A proposta inclui ratificação do V4 como base técnica e criação de orçamento para crescimento estratégico, em meio a debates sobre controle de marca e receita.
Ásia como motor de adoção varejista
No Consensus Hong Kong 2026, especialistas destacaram a Ásia superando o Ocidente na adoção varejista de cripto, impulsionada por regulação clara de stablecoins em Hong Kong e Cingapura.
Diferente do foco institucional americano, a região integra ativos digitais a pagamentos cotidianos e tesouraria corporativa, com liquidação 24/7 on-chain. Instituições asiáticas migram para stablecoins como infraestrutura base, liberando trilhões em fluxos e consolidando a Ásia como epicentro da convergência entre finanças tradicionais e blockchain.
O dia mistura cautela macro com avanços estruturais. Enquanto o BTC consolida à espera de impactos do CPI mais suave, iniciativas como o piloto britânico e propostas DeFi sinalizam integração crescente. O mercado permanece sensível a dados econômicos e fluxos institucionais, com correções vistas como oportunidade por visões de longo prazo.






