O Bitcoin não entregou grandes emoções nas últimas semanas, e opera próximo a US$ 62.900 nesta terça-feira (24). A maior criptomoeda do mercado varia na faixa entre US$ 64.000 e US$ 67.500 após o teste dos US$ 60.000. O movimento ocorre exatamente no momento em que os Estados Unidos de Trump impõem novas tarifas gerais de 10% sobre importações (com possibilidade de elevação para 15%), medida que entra em vigor hoje.
Para Tiago Martins, operador de mercado, esse cenário macro não é apenas mais um ruído. Trata-se do combustível para a construção silenciosa de um fundo local no Bitcoin. “Tarifa é, essencialmente, imposto”, explica Martins.
“Ela pressiona cadeias produtivas, encarece bens e reacende discussões inflacionárias. Em um ambiente em que o mercado espera maior previsibilidade e liquidez, qualquer elemento que aumente a pressão sobre preços altera o ritmo das expectativas.”
O resultado é um ambiente menos confortável para aceleração de estímulos do Federal Reserve. Sem liquidez acelerada, os mercados não explodem, eles consomem tempo. E é exatamente nesse tempo que o Bitcoin está operando.
Apesar de tarifas de Trump, análise técnica indica fundo
Colocando as tarifas de Trump de lado, o ponto de vista técnico indica fundo. Tiago explica que o ativo voltou à região da EMA200 semanal, uma média exponencial de 200 períodos que historicamente funciona como divisor estrutural de ciclos.
Em maio de 2022, o Bitcoin testou o mesmo nível. Nesta mesma época, houve reação e alívio temporário. Contudo, não marcou o fundo global do ciclo, apenas antecedeu a capitulação final. “Hoje, estruturalmente, estamos em um estágio semelhante”, afirma Martins.
O fundo em US$ 60.000 já está confirmado, mas ainda não houve uma reação consistente que transforme essa região em base consolidada. O mercado, portanto, encontra-se em zona de decisão, não de conclusão. O RSI mensal já entrou em território historicamente associado a fundos, sinalizando estresse significativo após a queda de US$ 126 mil para US$ 60 mil.
No entanto, Martins faz uma distinção crucial. “Estresse técnico não significa fundo global. O RSI sinaliza que o movimento está pressionado, abrindo espaço para reação. Mas reações técnicas dentro de ciclos de baixa são comuns.”
Para o operador, o que estamos vendo é a construção de um fundo local. Um processo, não um evento pontual. “Fundo não é apenas preço. Fundo é processo. Para que grandes participantes acumulem posição, é necessário que exista contraparte.
E a contraparte surge quando há venda consistente do outro lado. Não por convicção de que o ativo não vale nada, mas por desgaste.
”Essa venda por desgaste explica a formação de bases laterais. Se houver reação na EMA200, a zona dos US$ 86 mil pode se tornar o topo de uma estrutura de lateralização, formando uma possível faixa entre US$ 60 mil e US$ 86 mil. Abaixo, há liquidez até cerca de US$ 57 mil; acima, até US$ 90 mil. “Esse range ainda está em construção”, ressalta Martins.





