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‘Não existe sistema financeiro sem prevenção à lavagem de dinheiro’, dizem líderes do setor no lançamento do novo selo

Nesta terça-feira (3), o Hotel Intercontinental São Paulo foi palco do lançamento institucional do Selo de Conformidade em PLD/FTP. A iniciativa visa ampliar o compromisso do setor financeiro com prevenção à lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo e à proliferação de armas de destruição em massa.

Criado pela Associação Brasileira de Câmbio, o selo passou a contar com a adesão de outras entidades relevantes da indústria. Desse modo, reunindo no mesmo palco lideranças da ABRANET, ACREFI e Zetta, além de representantes do Banco Central do Brasil.

O painel com anfitriões foi mediado por Kelly Gallego Massaro, presidente da ABRACAM, que abriu os trabalhos destacando o caráter coletivo da iniciativa. Para ela, o selo simboliza uma mudança de mentalidade no setor.

Além disso, players da indústria cripto também estiveram presentes em peso. A nova regulação exige uma série de adequações para instituições que querem ser Prestadoras de Serviços e Ativos Virtuais (PSAVs). Incluindo conformidades com leis de anti-lavagem de dinheiro e combate ao financiamento de terrorismo.

Digitalização não reduz responsabilidades

Kelly ressaltou que, desde 2021, as regras de prevenção à lavagem de dinheiro passaram a alcançar de forma equivalente bancos tradicionais, bancos digitais e instituições de pagamento.

A digitalização do sistema financeiro, portanto, não reduziu responsabilidades. Ao contrário, ampliou a necessidade de controles robustos. Na sequência, Carol Conway, presidente da ABRANET, contextualizou a trajetória das empresas de tecnologia no sistema financeiro.

Segundo ela, a associação foi protagonista na inserção de novos modelos de pagamento desde 2013, quando um pequeno comitê começou a discutir o avanço das fintechs e das contas digitais.

O resultado concreto, afirmou, foi a inclusão de mais de 60 milhões de pessoas no sistema financeiro. Ainda assim, Carol enfatizou que o desafio permanece. Isso é, ampliar o acesso, especialmente para a base da pirâmide, sem abrir mão de padrões elevados de conformidade.

Ao abordar o tema da prevenção à lavagem de dinheiro, Carol destacou um ponto central, a digitalização. Muitas vezes vista como risco, também é parte da solução. Se antes grande parte das transações ocorria em espécie, hoje a digitalização das operações, aliada à inteligência de dados, permite maior capacidade de análise.

“Temos tecnologia para rastrear, temos dados para rastrear e temos especialistas preparados para isso”, sintetizou. Para ela, o selo reforça essa convergência entre inovação tecnológica e integridade regulatória.

Geração digital

Na parte final do painel, Kelly provocou Fernanda Garibaldi, diretora executiva da Zetta, sobre os desafios específicos das empresas que já nasceram digitais.

Se, por um lado, essas instituições têm DNA tecnológico e operam com alta capacidade de automação, por outro enfrentam a pressão da escala e da velocidade da inovação.

Fernanda destacou o papel do Banco Central na consolidação da agenda de conformidade. Especialmente desde a edição da Circular 3.978, em 2020.

Segundo ela, houve um momento em que parte do mercado questionava se as instituições não enquadradas como bancos estariam sujeitas às mesmas exigências. A resposta, afirmou, foi clara: a integridade do sistema financeiro exige padrões homogêneos, independentemente do modelo de negócio.

Além disso, ela trouxe ainda uma reflexão sobre o ambiente digital contemporâneo.

“Vivemos uma era em que a repercussão muitas vezes é maior do que o fato”, observou, referindo-se a casos recentes da Operação Carbono Oculto que envolveram instituições de pagamento e ganharam ampla exposição pública.

Autorregulação é importante, diz executiva

Nesse cenário, a autorregulação ganha relevância estratégica. Desse modo, diferentemente da lei, que impõe obrigações de forma coercitiva, a autorregulação depende da cooperação entre agentes. O selo, na visão de Fernanda, é um exemplo concreto dessa cooperação.

Dentro da Zetta, que reúne algumas das maiores instituições de pagamento do país, com operações em escala continental, o desafio é combinar velocidade e robustez.

Empresas com dezenas ou centenas de milhões de clientes precisam conciliar inovação contínua com capacidade de monitoramento sofisticada. Para isso, inteligência artificial e automação deixam de ser apenas ferramentas de eficiência e passam a ser instrumentos centrais de compliance.

Fernanda alertou que não há espaço para demonizar a digitalização. O sistema financeiro já é, estruturalmente, digital. O caminho, portanto, é utilizar a tecnologia em favor da segurança, tornando os processos mais rastreáveis, auditáveis e transparentes.

Nesse sentido, o selo funciona como referência setorial, ao envolver auditoria independente e critérios técnicos alinhados às exigências do regulador.