Em um relatório entregue ao Congresso nesta segunda-feira (9), o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos reconheceu pela primeira vez o uso de “mixers” de criptomoedas. Essas ferramentas servem para ofuscam transações para preservar a privacidade. Mas não é inerentemente ilegal quando empregado por usuários legítimos.
O documento, intitulado “Relatório ao Congresso sobre Tecnologias Inovadoras para Combater Finanças Ilícitas Envolvendo Ativos Digitais”, surge como parte da implementação da Lei GENIUS (Guiding and Establishing National Innovation for U.S. Stablecoins), assinada pelo presidente Trump em julho de 2025.
O relatório, que analisa ferramentas como inteligência artificial (IA), análise de blockchain e identidades digitais, marca um equilíbrio entre inovação e segurança. Apesar disso, também propõe medidas mais rígidas para plataformas cripto.
Mixers de criptomoedas são válidos, aponta documento
O Tesouro enfatiza que “usuários legítimos de ativos digitais podem aproveitar mixers para garantir privacidade financeira ao transacionar em blockchains públicos”. Isso inclui proteção de informações sensíveis, como riqueza pessoal, pagamentos empresariais ou doações beneficentes, que ficariam expostas em ledgers transparentes.
A declaração é uma “grande vitória para a privacidade”, como celebraram players. No entanto, o relatório distingue mixers “darknet” ou descentralizados não custodiados, frequentemente usados para lavagem de dinheiro ou transferência de fundos ilícitos por cibercriminosos, incluindo hackers ligados à Coreia do Norte.
IA pode ser ferramenta chave
A análise, solicitada pela GENIUS Act, baseia-se em um pedido público de comentários emitido em agosto de 2025, que coletou mais de 220 respostas de associações da indústria, empresas de inteligência blockchain e instituições financeiras. O Tesouro identificou IA, análise de blockchain, identidades digitais e interfaces de programação de aplicativos (APIs) como tecnologias chave para detectar atividades ilícitas.
Por exemplo, a IA pode automatizar a detecção de padrões suspeitos em transações, enquanto APIs facilitam o compartilhamento de dados entre instituições para compliance anti-lavagem de dinheiro (AML) e contra financiamento ao terrorismo (CFT).
Uma das recomendações mais impactantes é a criação de uma “lei de retenção” específica para ativos digitais. Ou seja, algo que permitiria a plataformas cripto congelar temporariamente fundos suspeitos durante investigações.
Isso criaria um “porto seguro legal” para instituições financeiras, incentivando a cooperação com autoridades sem medo de ações judiciais. “Essa medida poderia alterar significativamente a liquidez e a estrutura do mercado”, comentou Laura Shin, jornalista especializada em cripto, em resposta ao relatório.





