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Bitcoin em US$ 66 mil: conflito EUA e Irã limitam upside, alerta analista

O Bitcoin negocia próximo a US$ 66 mil nesta segunda-feira (2), em um ambiente de forte incerteza global impulsionado pelas tensões no Oriente Médio. Após ataques mútuos entre EUA, Israel e Irã no fim de semana, o petróleo Brent subiu mais de 4% e o ouro tocou máximas de vários meses, refletindo a busca clássica por ativos de proteção.

Enquanto isso, os futuros do S&P 500 operam em leve baixa, sinalizando possível fraqueza nos índices acionários americanos. Para o economista Paulo Aragão, o cenário macro continua pesando contra uma recuperação estrutural do Bitcoin. “Enquanto o conflito entre Irã e EUA continuar escalando, é difícil imaginar o BTC ganhando força consistente”, afirma.

O dólar americano, que ganhou terreno com a aversão ao risco, reforça a pressão sobre ativos voláteis como criptomoedas. No mercado de derivativos, Aragão destaca uma predominância leve de posições vendidas entre traders alavancados após a volatilidade do fim de semana. “Isso é interessante porque, se o BTC não romper para baixo rapidamente, pode surgir uma pressão compradora forçando liquidações de shorts”, explica.

Análise do Bitcoin em meio a EUA x Irã

O primeiro nível crítico fica em US$ 64 mil, onde há clusters importantes de liquidações (cerca de 3% abaixo do preço atual). Uma quebra dessa zona poderia acelerar o movimento descendente. Do lado superior, os grandes blocos de liquidação ficam próximos de US$ 93 mil, o que exigiria uma alta de cerca de 40%. Um movimento improvável no curto prazo diante do contexto geopolítico. “Sendo bem direto: o macro ainda pesa”, resume o economista.

Tecnicamente, o quadro permanece frágil. O MACD mensal não virou para alta, o Bitcoin continua perdendo força relativa contra o ouro (BTC/XAU em queda), e há formações que permitem mais uma pernada de baixa caso os suportes cedam. Aragão enxerga espaço para um teste da faixa entre US$ 58 mil e US$ 53.500 se o preço perder sustentação atual.A chave, segundo ele, segue no macro.

“Uma sinalização de trégua muda completamente o jogo. Sem isso, o mercado tende a continuar defensivo.” O economista observa que o conflito atual não é apenas geopolítico: ele afeta cadeias de suprimento de energia, pressiona custos e reduz espaço para estímulos monetários agressivos nos principais bancos centrais.

Cenário macro nos EUA

Ademais, com o Fed ainda cauteloso após dados de inflação persistentes e tarifas comerciais recém-anunciadas por Trump, a liquidez global permanece comedida, ambiente pouco favorável para ativos de risco.

O Bitcoin acumula queda de cerca de 48% desde o pico acima de US$ 126 mil em outubro de 2025.

Apesar da resiliência da rede, dificuldade de mineração em recorde e hash rate em níveis históricos, o sentimento no varejo permanece abalado. Pesquisas por “Bitcoin zero” nos EUA atingiram recorde em fevereiro, refletindo a capitulação emocional.

Enquanto isso, o capital institucional continua entrando de forma seletiva: ETFs de Bitcoin à vista mantêm influxos líquidos positivos, e mudanças regulatórias (como a suavização da SEC para stablecoins) sinalizam integração gradual ao sistema financeiro tradicional.

Aragão destaca que o atual ciclo não se parece com os anteriores. “Não temos o mesmo pano de fundo de liquidez abundante e estímulos massivos que vimos em 2020-2021. O macro está mais hostil, e isso exige paciência.”

Ou seja, ele vê o período atual como fase de construção de base, com o tempo desempenhando papel central na formação de contraparte para acumulação.

Perspectivas para os próximos dias

Os próximos catalisadores serão geopolíticos e macroeconômicos. Qualquer sinal de desescalada entre EUA e Irã, negociações via ONU, mediação de potências como China ou Rússia, ou recuo de ameaças de fechamento do Estreito de Ormuz, poderia aliviar a pressão sobre ouro e petróleo e abrir espaço para ativos de risco, incluindo cripto.

Do lado oposto, uma escalada (ataques diretos à infraestrutura energética ou bloqueio naval) intensifica a aversão ao risco e poderia testar os suportes mais baixos citados por Aragão.No curto prazo, o economista recomenda cautela. “O mercado está defensivo e o BTC frágil tecnicamente.

Além disso, sem catalisador positivo claro no macro, a consolidação ou nova perna de baixa são cenários mais prováveis do que rompimento altista.” Para investidores de longo prazo, ele vê o atual momento como oportunidade de posicionamento gradual, especialmente se o preço se aproximar de US$ 58 mil–53.500, zonas historicamente associadas a reações fortes.

Enquanto o conflito no Oriente Médio domina as manchetes, o Bitcoin permanece refém do macro global. A paciência, como sempre em ciclos complexos, pode ser a estratégia mais valiosa no momento.